Candidatos, votem na indústria

Artigo publicado originalmente na Tribuna do Brasil, em 16 de setembro de 2010.

2010. Neste ano das merecidas comemorações do jubileu de Brasília e diante de um importante processo de renovação do Distrito Federal, é chegada a hora de a classe empresarial, o governo, os acadêmicos e a sociedade civil organizada se unirem em defesa do crescimento e do desenvolvimento sustentado do DF.

Não há mais tempo e espaço para "pensar" Brasília apenas como região administrativa, sede dos Poderes constituídos e uma mera coadjuvante no processo econômico brasileiro. Nos seus 50 anos, a capital idealizada por Juscelino Kubitschek tornou-se metrópole, com os ônus e os bônus de um grande polo de adensamento urbano. Pensada para abrigar 500 mil habitantes no ano2000, a capital abriga, apenas 10 anos depois de tais projeções, mais de 3,6 milhões de habitantes, contando todo o DF e a região metropolitana do Entorno.

Estamos falando de uma legião de brasileiros – sejam eles brasilienses ou aqueles nascidos nos diversos cantos do País - que clamam, essencialmente, por mais oportunidades de justiça social, redução das desigualdades, educação e saúde de qualidade, transporte digno, contenção dos índices de violência, acesso à cultura e ao lazer e, sobretudo, mais emprego. E aquela Brasília, pensada cinco décadas atrás, já não comporta essas necessidades.

É imperioso planejar a capital, suas 30 Regiões Administrativas e toda a área de confluência do Entorno como um polo de atração de investimentos e com potencial para o desenvolvimento do setor produtivo e da livre iniciativa. Está nas empresas, especialmente nos micro e pequenos negócios, a solução para o desemprego que tanto assola o DF. E, neste contexto, a Federação das Indústrias do DF (Fibra) tem atuado, incansavelmente, como entidade representativa de apoio e fomento ao desenvolvimento das empresas e do fortalecimento da economia do DF.

Ademais, diante do período eleitoral, além de trabalhar para sensibilizar o governo quanto à necessidade de buscar modelos alternativos para o desenvolvimento, ancorado na força do setor produtivo e menos dependente do setor público, a Fibra abriu um canal democrático de interlocução entre a classe empresarial e os candidatos ao GDF, ao promover o Ciclo de Debates Fibra Eleições 2010. Nossa proposta com os Debates é de apresentar aos candidatos ao governo local, bem como a toda sociedade (empresários, representantes do governo, acadêmicos e os interessados nas causas do desenvolvimento) o pensamento da indústria e as diretrizes para um crescimento de longo prazo. O momento é único.

Embalada por uma recente crise política e pela necessidade de renovação, a sociedade brasiliense pode acompanhar as propostas dos pleiteantes ao mais alto cargo da capital federal. Temas como informalidade, melhora do ambiente de negócios, ampliação do investimento na infraestrutura das Áreas de Desenvolvimento Econômico, identificação e fomento às cadeias produtivas do DF, acesso ao crédito e ao financiamento para a inovação, qualificação profissional e redução da carga tributária foram recorrentes em todos os debates.

E independente do resultado no dia 3 de outubro, o balanço desse trabalho certamente será positivo, uma vez que todos os candidatos ouvidos - Agnelo Queiroz (PT), Newton Lins (PSL), Eduardo Brandão (PV), Toninho (PSol), Frank Svensson (PCB) e Joaquim Roriz (PSC) - admitiram a importância de se reinaugurar Brasília, agora com um foco na sustentabilidade da economia, no respeito às vocações da cidade e respaldada por uma indústria limpa, arrojada e inovadora.

A proposta da Fibra, com o Ciclo de Debates Fibra Eleições 2010, é dar voz aos mais de3 milhões de brasilienses que já não podem depender do Poder Público e da mão empregadora do governo. É mais do que urgente delinear e colocar em prática uma política industrial, com vistas a um ciclo de crescimento perene e sustentado. Nos seus 50 anos, Brasília merece.

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