Moradores do Itapoã recebem óculos do Sesi-DF
Mais de 100 armações foram entregues na tarde de ontem (10), na comunidade
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11-Jul-2008
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Foto: Cristiano Costa

O Dia Nacional da Saúde Ocular, comemorado em todo país ontem (10), foi também marcado por muita alegria por parte dos moradores do Itapoã. Na tarde desta quinta-feira, o Serviço Social da Indústria (Sesi-DF) entregou aproximadamente 120 óculos para aqueles que se submeteram a exames oftalmológicos durante o Ação Global, programa em parceria do Sesi-DF com a Rede Globo Brasília, realizado na comunidade, em 17 de maio. Na ocasião, 400 moradores foram atendidos em uma tenda montada no pátio da Escola Classe n° 1. A partir de exames realizados, os moradores aguardaram na expectativa para o recebimento dos óculos.

Para o presidente da Federação das Indústrias do DF (FIBRA), Antônio Rocha, a inclusão do atendimento oftalmológico no Ação Global deste ano foi mais uma proposta dos parceiros do programa de responsabilidade social. “As famílias que não tinham condições de consultar com um profissional tiveram, naquela ocasião, a oportunidade de submeterem aos exames. Agora, ao entregarmos os óculos aos moradores, concluímos esta etapa de auxílio aos mais carentes que poderão enxergar melhor. Isso é muito importante”, destacou Rocha.

A técnica de Responsabilidade Social do Sesi-DF, Rejane Maria da Costa, deu início à entrega dos óculos, lembrando aos moradores a importância do programa Ação Global para as populações carentes do país. “Hoje (ontem), estamos diante de um resultado fruto de um esforço entre parceiros. Que vocês sintam-se satisfeitos e que a gente tenha atendido a necessidade de vocês’, disse Rejane.

Após aplausos, o Dr. Benedito Mutirão, oftalmologista que contribuiu para realização dos exames e conferência das receitas, tomou a palavra, para dar início à entrega solene dos óculos. O primeiro a receber foi Domingos Pereira (56). Ele era o primeiro da fila e disse ter chegado duas horas antes do horário marcado para início da solenidade. Na entrega, o médico brincou. “Vamos aposentar esse seu óculos, Sr. Domingos. O senhor ficará, pelo menos, uns 20 anos mais jovem e mais bonito”.

A dona-de-casa Domingas Gomes (46) não compareceu ao trabalho como diarista em um apartamento do Plano Piloto. Segundo ela, perdeu R$ 40 da diária que recebe, mas disse ter valido a pena. “Eu estava esperando ansiosa pela entrega. Já não agüentava mais meus olhos lacrimejando e as pessoas achando que eu estava chorando o tempo inteiro. Minha visão também estava piorando cada vez mais”, contou. Dona Domingas e o marido, juntos, têm renda mensal de R$ 800. Ela disse ainda que o último par de óculos custou R$ 450 ao seu bolso. “Muito obrigada por aqueles que fizeram em nosso favor e que ajudaram a fazer disso uma realidade. Para mim foi muito importante”.

Enquanto as pessoas aguardavam na fila, Dr. Benedito aproveitou para dar instruções de bom uso dos óculos. “Eles não servem de uma pessoa para outra e não têm vencimento, enquanto uma nova consulta não determinar que ele deva ser trocado. Lave os óculos apenas com sabão e água corrente e use-o em boa posição”, instruiu. O médico também entregou amostras de colírio para os presentes. Segundo ele, o remédio vai diminuir os impactos negativos da poeira do local nos olhos das pessoas.

A moradora Maria do Livramento (43) utilizou os óculos no mesmo momento que recebeu. Cinco minutos depois, retornou ao local e disse ao médico que sentia tonturas. O oftalmologista aproveitou a situação para explicar que os óculos de descanso são para ser usados apenas para ler ou enxergar coisas próximas. “São os bifocais”, explicou Benedito. Segundo ele, a tontura é comum para quem tenta utilizar os óculos para curta distância o tempo todo. O menino Elivelton Rodrigues (12) faz uso dos mesmos óculos desde os cinco anos. São cinco graus de miopia nos dois olhos que o impedem de enxergar bem. “Agora vou poder ver melhor, tava ruim sem”. A mãe conta que ficou feliz, já que não teria condições para custear os R$ 580 para um novo par de óculos.

Neste projeto específico, estiveram envolvidos os parceiros: Corpo de Bombeiros Militar do DF, Secretária de Estado de Saúde, Óticas Brasiliense, Revisa Medical, Centro Oftalmológico do Hospital da Universidade Católica de Brasília e o médico Benedito Mutirão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil possui cerca de quatro milhões de deficientes visuais e, aproximadamente, 1,250 milhão de cegos.

Ação Global

O Ação Global, realizada no dia 17 de maio, no Itapoã, comunidade a 30 quilômetros de distância do Plano Piloto, um dos bolsões de pobreza da capital federal, foi considerada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) um modelo para os demais Estados brasileiros. Num terreno de nove mil metros quadrados, com carência de asfalto e rede de esgotos, a população recebeu diversos atendimentos, em mais uma parceria do Serviço Social da Indústria (SESI-DF) com a Rede Globo Brasília. Foram 140 mil atendimentos durante um dia inteiro de atividades de esporte, lazer e cultura, além dos serviços médicos, odontológicos e oftalmológicos.

Naquela ocasião, o gerente da Área de Responsabilidade Social do SESI Nacional, Alex Mansur, disse que a proposta levada pelo DF mostra “o espírito daquilo que é contemplado no mapa da indústria”. “É muito legal. Colocamos à disposição da população pobre os mais diversos serviços que dificilmente teria condição de receber num mesmo dia. Depois desta data, a comunidade do Itapoã não será a mesma. Trata-se da contribuição da indústria no sentido de reduzir a desigualdade social”, disse Mansur.

A escolha do Itapoã para a realização do programa se deu por ser uma área bastante carente dos serviços públicos. A infra-estrutura foi montada nos arredores da Escola Classe nº 1, da rede pública de ensino freqüentada por 1,1 mil alunos da região. A cerimônia de abertura oficial ocorreu no pátio do colégio com a execução do Hino Nacional.  Em seguida, o presidente da Fibra liderou uma comitiva formada ainda pelo o administrador regional do Itapoã, Marco Aurélio Demes, diretores da federação, presidentes de sindicatos da indústria e empresários para conferir de perto as atividades realizadas.

Itapoã é uma invasão que abriga 90 mil pessoas. Situada entre Paranoá e Sobradinho, a população sofre também com a ausência do transporte público e hospitais. A Escola Classe nº 1 é a única da região. “Com o Ação Global, dentro de dois anos, o poder público vai poder aferir os efeitos dos atendimentos que foram possíveis neste dia nesta comunidade. É um exemplo que o país deve seguir”, disse Mansur.

Mais informações
Elton Pacheco
Assessoria de Imprensa
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