Senai Taguatinga conscientiza alunos e comunidade

Roupas e acessórios produzidos a partir de materiais reciclados, um forno que funciona a lâmpadas, computadores criados com peças restauradas e móveis feitos com pneus e canos inutilizados. Essas invenções, produzidas em sua maioria pelos alunos do Senai, estiveram expostas nesta quinta-feira, 23 de setembro, na unidade do Senai em Taguatinga. Elas fazem parte do programa EcoAlternativas, que objetiva estimular a inovação e a consciência ambiental dos alunos da entidade. Foram apresentados ao todo 16 projetos autossustentáveis. Cerca de 1,5 mil pessoas conferiram as novidades durante o evento.

O evento contou também com expositores independentes e estandes de universidades, como a Universidade Católica (UCB) e a Universidade de Brasília (UnB), ONGs e cooperativas.  “A inovação tem que se tornar uma cultura também dentro das escolas. E, nesse processo, o grande estimulador é a figura do docente. Nada mais certo do que incentivar a criação em sala de aula e com consciência ambiental”, comenta a orientadora pedagógica do Senai Taguatinga e responsável pelo EcoAlternativas, Maria Aparecida Lima.

Para a aluna do curso técnico de Administração Anny Pereira, de 17 anos, esta foi a oportunidade de aprender para aplicar no mercado de trabalho. “O profissional de hoje tem a obrigação de desenvolver projetos responsáveis ambientalmente dentro das empresas. É uma exigência e nós, que ainda estamos na escola, precisamos ficar ligados”, diz. A colega de turma, Daniela Alves, 24 anos, acredita que a participação no EcoAlternativas expandiu seu conhecimento. “Além de aprender, também ensinamos, porque conhecimento adquirido tem que ser repassado”, diz.

Projetos

O forno criado a partir de lâmpadas incandescentes foi uma das principais atrações desta segunda edição do EcoAlternativas. O aparelho tem capacidade de atingir até 150 graus e, por hora, consumir apenas 350 watts. Um forno microondas comum consome até 4,5 mil watts/hora, diferença de 345,5 watts. Esse projeto foi apresentado ano passado, durante a primeira edição do evento. “Desta vez, revestimos a estrutura interna com isopor e alumínio. Isso fez com que a capacidade de aquecimento dele aumentasse. O forno chega a 150° e é capaz de assar uma mini pizza, por exemplo, em seis minutos”, conta um estudante do Senai Taguatinga, responsável pela monitoria.

Outra atração do EcoAlternativas foi um desfile supervisionado pela estilista brasiliense Stephânia Alves. As alunas do curso de modelagem e costura da entidade criaram 12 modelos a partir de roupas velhas e banners usados. “Nosso objetivo foi mostrar que é possível criar peças bonitas a partir de materiais que teriam como destino certo o lixo. Antes de tudo, queríamos criar peças para serem utilizadas depois. Com criatividade, uma peça ou material descartado pode ganhar uma nova vida”, conta Stephania. O desfile teve como tema referências do século XV e o século XXII.

O EcoAlternativas também apresentou o resultado do trabalho da ONG Amigos do Volei, que promove a inclusão de jovens carentes por meio do esporte. A ONG é também responsável pelo programa Modelando a Vida, que oferece capacitação e trabalho às mães dos jovens inseridos nas aulas do projeto. Elas produzem bolsas, as chamadas ecobags, a partir de banners velhos. O grupo é formado atualmente por 50 mulheres. Em dois anos, o programa já produziu mais de 10 mil peças e comercializa, atualmente, para governos, entidades, entre outros. O trabalho também garante renda para as mães dos jovens atendidos.

As expositoras Adriane Adratt e Margaret Saboia também apresentaram peças produzidas com matérias primas do cerrado e sacolas plásticas, respectivamente. Adratt representou o projeto Yasai, que mantém emprego para quatro famílias na área rural de Sobradinho e Taguatinga. “Desde maio de 2009, elas produzem brincos e colares com material do cerrado”, conta. Margaret desenvolve bolsas a partir do uso de sacolas de plástico, tipo supermercado. Em dois anos, quando iniciou o projeto chamado Tergaram, Margaret se orgulha de ter utilizado 5 mil sacolas em suas produções. “Quem sabe todo esse material não estivesse hoje em nossas ruas?”, questiona a artesã. A Tergaram também gera emprego e renda para seis pessoas na região do Arapoanga.

O evento reuniu moradores da comunidade, interessados nas novidades. Dona Eurípedes Viera, moradora da Ceilândia, ficou empolgada com tudo o que viu, principalmente com a utilização da fibra do coco como adubo para plantas. “Nunca imaginei que essa fibra pudesse ser utilizada para isso. Já procurei xaxim em todo o DF e Goiás e não encontro, mas agora encontrei uma saída”, conta, surpresa. Além disso, os estudantes e comunidade também conferiram móveis produzidos com pneus velhos (altamente poluidores do meio ambiente), canos de PVC e peças não utilizadas de computadores. A Casa Solar, estrutura recém aberta na unidade, foi utilizada para demonstrações e testes a partir da captação de energia por meio do Sol.

O Senai Taguatinga está aberto para apresentar os projetos. Informações pelo telefone 3353-8700

Elton Pacheco
Assessoria de Imprensa
Sistema Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra)
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF)
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Foto: Cristiano Costa/Unicom-Fibra