Um primeiro passo

A escolha do Brasil como primeira parada durante a viagem do presidente dos Estados Unidos à América do Sul foi cercada de simbolismos. Do ponto de vista político, Barack Obama sinalizou que enseja criar um novo patamar na relação entre os dois países. Ele aposta na maturidade da democracia brasileira e no poder de influência do Brasil junto às outras nações sul-americanas. Mas, foi no quesito econômico que a viagem representou um verdadeiro passo à frente.

Em sua breve passagem na Capital Federal e no Rio de Janeiro, o homem mais poderoso do planeta evidenciou seu claro interesse comercial no Brasil, especialmente no que diz respeito ao petróleo e gás, energia limpa e nas vultosas obras de infraestrutura, tendo em vista os grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

Bastante oportuna e estratégica, a iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em protagonizar a abertura desse diálogo mostrou que, ao contrário do que sempre imaginamos, o Brasil não é mais o país do futuro, e sim, o país do presente, do forte potencial econômico, das oportunidades de investimentos, da livre iniciativa, da democracia perene e da liberdade de expressão.

E são inúmeros os fatores globais que confirmam o bom momento brasileiro. A instabilidade política no norte da África, por exemplo, contribuiu para aumentar a importância do pré-sal nas águas profundas brasileiras. “Queremos ser um dos seus maiores clientes”, reiterou Obama, para alvoroço dos empresários. Uma cooperação nos biocombustíveis, com a utilização de energia limpa, também é algo bastante viável. Para isso, basta que os EUA derrubem a sobretaxa ao etanol brasileiro.

Outro avanço foi a criação da comissão Brasil-Estados Unidos para discutir as relações econômicas. As barreiras técnicas e sanitárias e a bitributação estão na pauta. Enfim, os Estados Unidos entenderam que o crescimento se faz numa via de mão dupla. E o Brasil está pronto para essa corrida.

 

*Empresário da construção civil, Antônio Rocha é presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)

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