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DF: Canteiro de obra é reconhecido por tecnologias inovadoras

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Investir em tecnologias inovadoras e ações de sustentabilidade é essencial para a manutenção e crescimento de qualquer ambiente de produção, seja ele de pequena, média, ou grande escala. Mas  alguns setores específicos exigem um cuidado ainda maior para harmonizar o desenvolvimento sustentável e a produção contínua, atendendo aos altos padrões de qualidade exigidos pelo mercado.

Este é o caso da construção civil que, segundo o Conselho Internacional da Construção (CIB), é o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideráveis impactos ao meio ambiente. De acordo com dados da organização Green Building Council Brasil, as edificações são responsáveis pela utilização de 21% da água tratada e 50% de toda energia elétrica produzidos no país. Mas as perdas não vêm apenas pelo consumo, como também pelo alto índice de produção de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção.

Buscando minimizar os efeitos ambientais deste importante setor da economia brasileira, os empresários estão cada vez mais preocupados em implementar novas alternativas para economizar recursos e otimizar a produção.  Um bom exemplo deste tipo de iniciativa é encontrado no canteiro de obras da empresa Supera Engenharia, que é responsável pela construção de um edifício na quadra 504 da Asa Norte. Apesar de pequeno, o canteiro se tornou referência no uso de tecnologias inovadoras, sendo considerado como obra modelo de Brasília.

Isso se deve à criatividade e iniciativa dos funcionários da empresa, que identificaram alguns problemas no início da execução da obra e buscaram possibilidades que se adequassem às características do local. Uma das dificuldades encontradas foi lidar com o pouco espaço físico disponível para manobrar os caminhões betoneiras. O engenheiro civil Kássio Henrique, explica que após a concretagem de elementos estruturais da obra, é necessária a utilização dos caminhões para fazer a lavagem das bicas. E este era justamente o problema. Os veículos não conseguiam circular dentro do canteiro. “Diante desta situação, foi desenvolvido um protótipo que faz a coleta de água no lava-bicas portátil, separando o concreto da água. Um reservatório instalado junto à máquina faz uma filtragem da água, eliminando resíduos e possibilitando que ela seja renovada e reutilizada para a lavagem do canteiro. Isso representa a solução interna de um problema de logística e também uma economia muito grande em relação ao uso da água”.

Com a criação do lava-bicas portátil, a obra garantiu uma inovação de nível nacional certificada pelo Centro de Treinamento e Capacitação (Cetec) e conquistou a certificação Ouro da Green Building Council, já que o lava-bicas deve ser elemento obrigatório nos canteiros mesmo quando o espaço é reduzido. De acordo com o diretor da empresa Guilherme Barros, a implementação de novas tecnologias tem sido uma prática constante nas obras realizadas pela equipe e o resultado do investimento pode ser facilmente notado quando se analisa o relatório final de custos da empreitada. “São pequenas inovações que estimulam os engenheiros e os próprios trabalhadores a buscar novas alternativas que possam mudar alguma coisa no dia a dia da execução. Nós temos visto muitas melhorias em alguns detalhes que, ao final, geram uma economia grande no custo da obra”, conta Guilherme.

Uma equipe técnica da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) visitou o canteiro da obra nesta quarta-feira (18/05) para conhecer de perto o lava-bicas portátil e outras inovações implementadas pela empresa. Entre os profissionais estavam representantes de entidades ligadas ao setor, da diretoria de Inteligência Estratégica e Sustentabilidade da Fibra e o diretor de Assuntos de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da Federação, Graciomário de Queiroz.

Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Izidio Santos Junior, utilizar tecnologias inovadoras não é um processo difícil, mas requer algum investimento. Entretanto, os benefícios se sobressaem quando a obra é analisada de forma ampla. “O custo para implantar tudo que é pedido na certificação varia de 5 a 10% do valor total da obra. Neste tipo de empreendimento, que é realizado numa área nobre da cidade e possui um alto valor de venda, é possível implementar. O processo é caro, mas vale ressaltar que esses investimentos em tecnologia aumentam a produtividade, diminuem a mão de obra e os custos com desperdício. E é este tipo de tecnologia que queremos levar para as outras empresas associadas ao nosso sindicato e à Federação”, afirma Izidio.

Segurança e saúde do trabalhador no canteiro de obra

Outra grande preocupação nos projetos da empresa Supera Engenharia está relacionada à segurança do trabalho. Diversos investimentos foram feitos para que os funcionários possam trabalhar cada vez melhor, com segurança, saúde e conforto.

Durante a visita técnica, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção (STICMB) João Barbosa, destacou que o sucesso de uma obra depende de vários fatores, inclusive da boa qualidade de trabalho dos funcionários. “Quando se trata de segurança e saúde, não se fala em gasto, mas em investimento por que o trabalhador é o maior patrimônio da empresa. Um acidente de qualquer natureza gera grandes perdas, não só para o trabalhador, mas para a família dele e também para a empresa, já que a produtividade vai a zero. Seria muito bom se os empresários brasileiros mudassem a mentalidade sobre o que é investimento no setor e começassem a aplicar os métodos que vimos neste canteiro. Essa é a meta que nós sempre buscamos: mais conscientização do nosso setor”, ressalta o diretor.

Para auxiliar na promoção de ações voltados para os trabalhadores da construção civil, foi criado em 1988 o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do DF (Seconci-DF). A entidade surgiu da junção de esforços entre o Sinduscon-DF e STICMB, e presta serviços voltados para educação e saúde dos funcionários. Além da sede localizada no Núcleo Bandeirante, o Seconci também atende no STICMB e nas próprias obras por meio de unidades móveis de atendimento médico e salas de alfabetização em montadas nos canteiros.

Para mais informações, acesse:

http://www.seconci-df.org.br

http://www.sinduscondf.org.br

http://www.sticmb.org.br/

Aline Porcina
Assessoria de Imprensa
Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra)
E-mail: aline.costa@sistemafibra.org.br
Fotos: Cristiano Costa/ Sistema Fibra