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Desenvolvimento e meio ambiente devem estar em uma mesma equação, diz Marina Silva

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A ex-senadora Marina Silva falou a empresários, lideranças políticas e acadêmicos, nesta terça-feira (26/8), sobre os “Desafios da Sustentabilidade.” O encontro foi promovido pela Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), e é uma das ações previstas no Ciclo de Palestras promovido pela Diretoria de Assuntos Ambientais da Casa, sob a ótica da sustentabilidade nas indústrias do DF. 

Para o diretor de Assuntos Ambientais, Marcontoni Montezuma, há diversos ganhos em se trabalhar de acordo com os princípios de sustentabilidade, que está baseado nos pilares ambiental, econômico e social. "Basta compreender onde esses conceitos se encaixam dentro do seu negócio. Pode haver ganhos na economia de matérias-primas, de energia, nos processos de produção ou no descarte adequado de resíduos”, considera. 

Segundo Marina, é necessário internalizar o discurso e propor ações consistentes de boas práticas ambientais. “Com certeza uma indústria sustentável deve estar atenta ao uso de energia e eficiência no uso dos recursos hídricos e não olhar apenas a qualidade estética dos produtos. Devemos olhar além dessa cartilha da sustentabilidade pré-estabelecida dentro das empresas”, diz.

Marina Silva criticou ainda os atuais modelos de sustentabilidade adotados no País. “Do ponto de vista ambiental, mesmo que eu não diga nada sobre o atual modelo, eu já deixo claro que ele é insustentável”, diz. Para a ela outro fator que prejudica não só a renovação do modelos de sustentabilidade, mas a política nacional, é a institucionalização das conquistas de um governo.

Convidado a compor a mesa para a rodada de perguntas após a palestra, o secretário de Meio Ambiente, André Lima, ressaltou a importância em envolver os empresários no processo de modernização de uma política voltada a sustentabilidade dentro do DF. “É preciso uma política de transversal, que compartilhe a responsabilidade com o empresário em amadurecer uma ideia em prol do desenvolvimento sustentável”, comenta.

A metodologia escolhida pela ex-senadora para sensibilizar a plateia foi a contextualização do cenário político, econômico, ambiental e social do mundo. Marina Silva traçou paralelos com as mesmas questões enfrentadas pelos brasileiros, que reflete diretamente nos desafios em se construir um país mais sustentável no que se diz à respeito da preservação do meio ambiente, geração de renda, emprego e qualidade de vida para a população.

Segundo ela, os empresários como um todo não podem mais se prender ao discurso que meio ambiente e desenvolvimento são antagônicos. “Estamos em um momento em que não podemos tratar separadamente estes assuntos. Temos que integrar desenvolvimento e meio ambiente em uma mesma equação.  Setores produtivos, governo e empresários têm que trabalhar de forma integrada ou não vamos conseguir internalizar essa cultura. Nós podemos tomar as decisões necessárias”.

Para um grupo de alunos de robótica do Sesi, a ex-senadora respondeu a um questionamento sobre o uso das tecnologias para o desenvolvimento de uma indústria mais sustentável. Em sua resposta, ela lembrou que tecnologia não resolve o problema por si os problemas ambientais do mundo, mas que é necessário desenvolver uma cultura sustentável na população.

“Os países precisam apostar em tecnologia e inovação. Precisam investir pois isso contribui muito”, diz. “Mas é preciso desenvolver esta tecnologia, não adianta fazer transferência. Temos que incentivar a inovação aqui. Isso impulsiona o mercado e acaba aprimorando o setor industrial do país”, completa.

Sustentabilidade política, econômica e jurídica

A palestrante tocou em temas sensíveis durante sua fala, como a importância em se manter órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) independentes, como força para investigar atos de corrupção como a Lava Jato. “Não vamos mais fazer uma revolução por rupturas. É necessário fazer políticas de longo prazo em um curto prazo político”, disse ela, se referindo à importância de dar um retorno a população sobre os casos investigados e curtos prazos.

A ex-senadora afirmou que o governo tem em mãos a resposta para superar a crise e recuperar o desenvolvimento do País, sobretudo no que diz respeito à geração de emprego e renda. “Temos uma população de mais de 8,4 milhões de desempregados. Eles não perderam o emprego por questões ambientais. Foram ações humanas. O Brasil precisa de políticas estruturantes para driblar esta questão”, afirma.

Marina Silva defendeu ainda mais segurança jurídica para que os empresários adotem cada vez mais medidas sustentáveis em seus estabelecimentos. Além disso, ela reforça a defesa de investimento de tecnologia e inovação, bandeiras estas que têm sidos defendidos com afinco pelo presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, em suas colocações nos interesses e proposições da indústria local. 

Marcus Fogaça
e-mail:marcus.fogaca@sistemafibra.org.br
Telefones: 3362-6127 / 96740238
Foto: Glaucya Braga

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