Etapa da WorldSkills Brasil em Brasília não destinou nenhum resíduo ao aterro sanitário

WorldSkills Brasil Centro de Convenções Ulysses Guimarães Brasília. Foto Victor Hugo Pessoa Sistema Fibra 25.9.2025Imagine um evento de cinco dias, pelo qual passaram 8,2 mil pessoas, não deixar nenhum rastro de lixo para trás. Parece impraticável? Pois foi o que ocorreu na WorldSkills Brasil 2025 em Brasília. A última etapa das seletivas no País, organizadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ocorreu no Ulysses Centro de Convenções de 24 a 28 de setembro e gerou mais de 3,46 toneladas de resíduos sólidos, além de 10 toneladas de resíduos da construção civil. Nada disso, porém, foi parar no aterro sanitário.

Na capital federal, jovens de diversas partes do País disputaram as seletivas de 16 ocupações, de olho na WorldSkills, o maior torneio de profissões técnicas do mundo, que no ano que vem será em Shanghai, na China. Os 159 competidores demonstraram suas competências técnicas em provas que simulam o dia a dia de trabalho, com os mesmos equipamentos e insumos utilizados na indústria.

Os resíduos da construção, produzidos nas disputas da ocupação Revestimento Cerâmico e na própria montagem do evento, foram transformados em novos insumos para a construção civil, como brita e areia, ou doados. Assim, estruturas e chapas de drywall, por exemplo, tiveram seu ciclo de vida prolongado, reduzindo a demanda por novos recursos.

Dos outros tipos de resíduos, 63% foram destinados à reciclagem, 15% (orgânicos) foram compostados e 22% foram encaminhados para coprocessamento como combustível. Estes incluíram os resíduos perigosos, gerados nas provas da ocupação Manufatura Aditiva, em que a impressão de peças em 3D produz uma espécie de resina que pode ser tóxica, impedindo o envio à reciclagem dos panos usados para limpar esses objetos.

WorldSkills Brasil Centro de Convenções Ulysses Guimarães Brasília. Foto Lula Lopes Sistema Fibra 26.9.2025A gestão dos resíduos das seletivas da WorldSkills em Brasília foi feita pelo Instituto Senai de Tecnologia em Construção Civil do Distrito Federal (ISTCC-DF), que elaborou, coordenou e executou o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), com foco no Compromisso Lixo Zero, certificação concedida pelo Instituto Lixo Zero Brasil. “Foi um trabalho mais complexo do que um evento cultural ou esportivo, em razão da geração de resíduos industriais diversos. Mas temos esse know-how justamente porque o foco do nosso trabalho são as indústrias”, ressalta a coordenadora de Consultorias em Tecnologias do ISTCC-DF, Ester Martins.

Na visão do Senai, a adesão ao Compromisso Lixo Zero, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, difunde essa cultura entre os próprios colaboradores e o público, o que gera um efeito multiplicador. Incentiva, ainda, outras instituições a seguir o mesmo caminho, uma vez que estabelece um modelo concreto de como uma instituição pode operar de forma ecologicamente responsável e inovadora.

“O resultado de 100% de desvio do aterro sanitário é a prova cabal do compromisso institucional do Senai com a responsabilidade ambiental e a economia circular. Ao eliminar completamente o envio de resíduos para aterros, o Senai demonstra que não apenas minimiza seu impacto ambiental, mas também fecha ciclos de materiais, otimizando recursos e incentivando a reutilização e a reciclagem”, explica o analista de Desenvolvimento Industrial do Senai Elisiê Coelho Lima.

Conscientização e parcerias
Formada por profissionais de engenharia ambiental, engenharia de produção e gestão de resíduos, a equipe do ISTCC-DF que atuou na WorldSkills Brasil 2025 em Brasília fez o mapeamento dos fluxos de resíduos; definiu as estratégias de separação, armazenamento e destinação; capacitou fornecedores, competidores, equipes operacionais e parceiros; monitorou a geração de resíduos e a eficiência das ações; e cuidou da articulação com cooperativas e empresas especializadas para garantir a rastreabilidade e a conformidade com os critérios de certificação.

A busca pelo Compromisso Lixo Zero começou ainda no planejamento do evento, com uma abordagem voltada não só à destinação correta, mas ao princípio da redução da geração de resíduos. Um dos pilares fundamentais da estratégia do ISTCC-DF foi a conscientização dos envolvidos, por meio de treinamentos online de organizadores, competidores, chefes de oficina (aqueles responsáveis pelas atividades de uma ocupação), avaliadores, fornecedores e equipes de limpeza — estas também foram capacitadas durante o evento sobre o manejo de resíduos.

Ao longo da competição, aberta ao público, havia orientações visuais, recipientes claramente identificados e monitores ambientais treinados para orientar os visitantes sobre o descarte correto. Para os itens recicláveis, por exemplo, foram distribuídas pelo local 30 lixeiras de papelão, material reciclável e biodegradável.

Foi por meio de parcerias locais — com a cooperativa Recicle a Vida, o Projeto Compostar e a ELM Serviços de Terraplanagem — que o evento atingiu 100% de desvio de aterro sanitário. “Alguns desses parceiros são clientes do Senai-DF em programas de consultoria e inovação, o que demonstra a sinergia entre nossas iniciativas de fomento industrial, responsabilidade social e sustentabilidade. Com isso, conseguimos fechar o ciclo da economia circular, fortalecendo a indústria do Distrito Federal por meio de ações integradas”, afirma Ester Martins, do ISTCC-DF.

Se você também quer realizar um evento com certificação Lixo Zero ou contratar o PGRS, acesse ist.sistemafibra.org.br/meio ambiente ou ligue para o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Senai-DF: (61) 4042-6565.

Texto: Anna Halley
Foto da área de competições: Victor Hugo Pessoa/Sistema Fibra — 25.9.2025
Foto das lixeiras: Lula Lopes/Sistema Fibra — 26.9.2025
Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra