Brasilienses se preparam para o Torneio Regional de Robótica

A etapa regional do Torneio de Robótica da First Lego League (FLL) para as equipes de Brasília será em 24 e 25 de novembro. A unidade de Taguatinga do Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF) vai receber a competição. Quinze times disputarão três vagas para a etapa nacional, que será em Curitiba (PR), de 16 a 18 de março.

O Sesi-DF será representado por sete equipes – Legofield, Megazord e Lego of Olympus, da unidade do Gama; Bisc 8 e Ohana, de Sobradinho; e Albatroid e Lions Bots, de Taguatinga (leia os perfis mais abaixo). O DF terá mais seis times no regional. As outras duas equipes são do Espírito Santo e de Goiás. Desde 2013, o Sesi é o operador oficial do Torneio de Robótica FLL no Brasil.

Os times têm até dez integrantes, de 9 a 16 anos, e dois técnicos adultos. Algumas equipes contam ainda com mentores. São ex-competidores que as ajudam na elaboração dos projetos e no desempenho dos robôs. A avaliação será nas categorias Projeto de Pesquisa, Desafio do Robô, Design do Robô e Core Values.

Soluções para a água

O tema Hydro Dinamics (hidrodinâmica, em inglês), foi o escolhido pela FLL para a temporada 2017/2018. Estudantes de todo o mundo estão desenvolvendo projetos que abordam a maneira como se lida com a água. As equipes terão de apresentar soluções para a forma como o recurso é encontrado, transportado, usado ou descartado.

Apesar de abrigar um quinto das reservas hídricas do mundo, o Brasil está longe de ser referência no uso racional e sustentável da água. Segundo estimativa do Ministério do Meio Ambiente, 36,4% da água é desperdiçada e apenas 40,8% do esgoto é tratado no país.

Em âmbito local, o tema coincide com a realização do Fórum Mundial da Água, que ocorrerá em Brasília de 18 a 23 de março do ano que vem, e com a pior crise hídrica da história da capital, que passa por racionamentos desde janeiro. Em meio a esse cenário, os competidores precisam identificar problemas e pensar em soluções para o consumo consciente da água.

O Torneio Interescolar de Robótica do Sesi-DF, no Sesi Taguatinga, em agosto, reuniu 75 alunos em 15 equipes. Ali foram selecionados os projetos e os estudantes que formam as sete equipes que vão representar o Sesi-DF na etapa regional.

Conheça os projetos que as equipes do Sesi-DF levarão ao torneio:

Legofield

Nas últimas duas temporadas da FLL, a equipe do Sesi Gama se classificou para as etapas internacionais – a única do DF a conseguir tal feito. Da formação anterior da Legofield, apenas os estudantes Lucas Sampaio e Matheus Queiroz permanecem na equipe. Os demais saíram, seja pela idade, por concluírem o Ensino Médio ou por não quererem mais competir.

Nesta temporada, a Legofield propõe a criação de um sistema de registro eletrônico para controlar o fluxo de água nas residências. Os estudantes levaram em consideração a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de uma média diária de 100 litros por habitante. A equipe sugere a instalação de um dispositivo nas entradas e saídas de água que controle a quantidade consumida. Todas as vezes que se atingir 50% do permitido no dia, a vazão será reduzida. Quando chegar a 100%, o fornecimento será cortado.

Diante da crise hídrica no DF, os estudantes fizeram uma petição pública em que pedem ajuda da população para que a ideia seja discutida pelo Executivo e pelo Legislativo locais como medida preventiva. Para a elaboração do projeto, a Legofield conta com o apoio da Universidade de Brasília (UnB) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do DF (Senai-DF), além daCompanhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). 

legofield

Da esquerda para a direita, em pé: Kévin da Silva, Lucas Sampaio, Thereza Cristina Gomes (técnica) e Eduardo Luz. Da esquerda para a direita, sentados: Daniel Rocha, Carolina Andrade, Matheus Queiroz e Rhaynara Moraes.

Lego of Olympus

Segundo a ONU, 72% da água disponível para consumo no Brasil é destinada à agricultura. A área irrigável é de aproximadamente 29,6 milhões de hectares, superior à do Rio Grande do Sul. As informações chamaram a atenção da equipe Lego of Olympus, do Sesi Gama, que propõe um sistema capaz de reduzir o desperdício no campo, sobretudo por pequenos agricultores.  

Para a temporada, a equipe traz o Sistema de Irrigação por Método Automático, o Sima. O aparelho mede a umidade do solo para evitar que o agricultor faça irrigações desnecessárias. Com a ajuda de um hardware livre, um sensor detecta a umidade e envia informações sobre a necessidade de irrigar o solo. O agricultor tem controle do processo com a ajuda de um aplicativo para celular e tablet.

O sistema é autossustentável e funciona com energia solar. Para o desenvolvimento do protótipo, o grupo tem ajuda de estudantes do curso de Engenharia da UnB e de profissionais do Senai-DF. 

Lego Olympus

Atrás, da esquerda para a direita: Kléber Carvalho (técnico), Isadora Marinho (competidora), Luan Melo (competidor), Cauã César Ramos (competidor), Levi Cardoso (competidor), Gabriel Vieira (competidor), Vitor Oliveira (mentor) e Luiz Gustavo de Souza (mentor). 

Megazord

A equipe reúne os competidores mais novos do Sesi Gama, que têm de 11 a 14 anos. Os integrantes da Megazord buscaram uma solução caseira para diminuir o desperdício de água nas residências brasileiras. Durante as pesquisas, eles descobriram que cerca de 75% da água consumida numa residência é no banheiro, segundo dados da OMS. O vaso sanitário lidera o ranking do desperdício. A estimativa é que, a cada descarga, cerca de 12 litros sejam gastos.

Pensando nisso, a equipe propõe um produto bioecológico que altera as características de cheiro e de cor da urina. A substância é feita com água sanitária, anilina, óleo de citronela e bicabornato de sódio. Em contato com a urina, a solução tira o mau cheiro e a coloração amarelada, o que dá uma sensação de limpeza e diminui a necessidade de uma descarga por uso. Com a aplicação do produto, a descarga é necessária apenas para eliminar as fezes.

equipe megazord

Da esquerda para a direita, em pé: Gabriel de Almeida (mentor), Lauany Araújo (competidora), Igor Santarém (competidor), Wallesca Borges (mentora) e Alberto Roquete (técnico).  Da esquerda para a direita, sentados: Davi Rodrigues  (competidor), Ian Rapini (competidor), Michel Borges (competidor), Geovanna Cecília (competidora) e Maria Eduarda Araújo (competidora). 

Bisc 8

É uma das equipes que vai representar o Sesi/Senai Sobradinho na etapa regional do Torneio de Robótica. O grupo está desenvolvendo um sistema de reservatórios com capacidade de 200 litros para reaproveitamento de água da máquina de lavar. Durante o torneio regional, eles vão apresentar um protótipo.

Um dos reservatórios acomoda a chamada água cinza escuro, proveniente da sujeira das roupas. Essa água é tratada e usada para atividades como lavagem de chão e de carro. Um segundo reservatório é destinado à água cinza claro, extraída do enxágue das roupas, que pode ser reaproveitada na própria máquina ou na limpeza da casa. Os reservatórios são equipados com filtro para retirar o máximo possível de impurezas, feito de carvão ativado.

Com os sistemas de reúso, a expectativa da Bisc 8 é que as residências tenham uma economia média mensal de 70% no uso de água na máquina de lavar. O equipamento será autônomo e automatizado. Os reservatórios serão construídos com polietileno e canos de PVC. A equipe estima que os reservatórios custem, em média, R$ 200, sendo mais viáveis financeiramente que as opções do mercado.

Bisc 8

Da esquerda para a direita, atrás: Jonas Dias (técnico), Erivelton Lucas (competidor), Silas Reis (mentor), Juliano Prendi (competidor) e Victor Domingos (competidor). À frente, da esquerda para a direita: Kamila Alves (técnica), Bianca Silva (competidora), Linda Jaya (mentora) e Alexandre Pereira (competidor).

Ohana

Embora 82,5% dos brasileiros tenham acesso à água, apenas 43% dos domicílios entre os 40% mais pobres do país têm vasos sanitários ligados à rede de esgoto. Os dados são da OMS. Se falta acesso aos sanitários comuns, imagine aos mais modernos, capazes de reduzir de 50% a 85% a quantidade de água usada nas descargas?

A equipe Ohana, do Sesi Sobradinho, vai levar ao Torneio Regional de Robótica o protótipo de um vaso sanitário tecnológico e sustentável que tem duas comportas, um triturador, um pressurizador e um alerta de vazamento. A ideia é construir um vaso sanitário do zero com a tecnologia que eles batizaram de Sistema Tecnológico e Sustentável (Sistema Tecsus).

A estimativa da equipe é que o sanitário custe, em média, R$ 400, sem os custos com a instalação, semelhante aos de um sanitário comum. O valor é bem inferior aos vasos similares encontrados no mercado, que custam em média R$ 3 mil.

Ohana

Da esquerda para a direita, em pé: Thales Araújo (mentor), Aline Fernandes (técnica), Maria Eduarda Lopes (competidora) e Kevin Razen (mentor). Da esquerda para a direita, agachadas: Yasmin Soares (competidora) e Lara Brito (competidora). 

Albatroid

Os estudantes do Sesi Taguatinga propõem o uso de um sensor para controlar a quantidade de água que sai das torneiras nas residências.

O monitoramento será feito pelo próprio morador com a ajuda de um aplicativo instalado em um tablet ou smartphone que vai mostrar em tempo real o consumo. A expectativa é que os moradores identifiquem onde gastam mais água e possam criar mecanismos para diminuir a vazão ou se conscientizar para gastar menos.

O grupo tem sido acompanhado por uma equipe de alunos do curso de Física da Universidade Federal de Goiás e por estudantes de Engenharia da UnB. 

albatroid

Da esquerda para a direita, atrás: Ana Carolina de Moraes (competidora), Ives Djuran (competidor), Gabriel Antunes (mentor), Gabriel Valério (mentor) e André Alcântara (técnico). Da esquerda para a direita, à frente: Luciane Almeida (técnica), Gabrielly Borges (competidora), Maria Rita Lima (competidora), Thiago Marques (competidor) e Geovana Mendonça (competidora).  

Lions Bots

Comuns em países como o Japão e a Austrália, os vasos sanitários com pias acopladas são artigos de luxo no Brasil. O utensílio é muito eficiente para reduzir o consumo de água e é a proposta da equipe Lions Bots. A proposta é simples: substitui a tampa de uma caixa acoplada por uma pia.

A ideia da equipe é que as pessoas utilizem a água limpa da caixa acoplada para lavar as mãos, escovar os dentes ou lavar o rosto e que depois ela seja reutilizada nas descargas.

Com isso, o time pretende resolver dois problemas: o desperdício de água nas pias e nas descargas. Para desenvolver o projeto, a equipe tem recebido orientações de profissionais do Senai-DF.

lions

Da esquerda para a direita, atrás: Alexandre Antunes, Karina Costa (técnica), Bruna Viana e Marisa Mariko (técnica). Da esquerda para a direita, à frente: Marley Abe, Arthur Tavares, Gabriel Paixão e Laura Freitas.

Serviço:
Torneio Regional de Robótica
Sesi Taguatinga (QNF 24, Área Especial, Taguatinga Norte)
24 e 25 de novembro de 2017
Das 9h às 18h