Conectados 60+ incentiva desenvolvimento e protagonismo de idosos
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- Última Atualização: Sexta, 19 Dezembro 2025 19:04
Com foco no cuidado, na valorização das histórias de vida e no fortalecimento das relações humanas, o Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF) realizou, de setembro a dezembro, o projeto Conectados 60+. A ideia foi promover a inclusão e o protagonismo de pessoas a partir de 60 anos, por meio do desenvolvimento de competências e do aprimoramento de habilidades.
Apoiado pelo Conselho Nacional do Sesi, o projeto Conectados 60+ atendeu gratuitamente 43 pessoas, divididas em duas turmas — uma no Sesi São João XXIII, na região administrativa do Gama, e a outra na escola de Taguatinga do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do DF (Senai-DF). A promoção da longevidade ativa, saudável e significativa se deu com ações educativas, culturais, psicossociais e de qualificação profissional, valorizando experiências e a diversidade etária.
Os participantes tiveram acesso a uma programação variada e integrada. O Senai-DF ofereceu dois cursos de aperfeiçoamento profissional: Informática Básica e Tecnologias para a Vida Moderna, proporcionando atualização de conhecimentos e contato com novas tecnologias e práticas do mercado. O Sesi-DF conduziu atividades voltadas ao desenvolvimento humano, estimulando o autoconhecimento, o autocuidado, a alimentação saudável, a comunicação, o trabalho em grupo e o bem-estar emocional. O Instituto Euvaldo Lodi do DF (IEL-DF), por sua vez, realizou encontros sobre educação financeira, para orientar os idosos a gerenciar o dinheiro de forma consciente e segura.
Houve também oficinas de musicalização, ministradas pelo Patubatê — grupo performático de percussão que usa instrumentos de materiais recicláveis. Os idosos aprenderam a construir instrumentos e tiveram acesso a conteúdos sobre ritmo.
“O Conectados 60+ buscou promover a integração desses homens e dessas mulheres ao mundo contemporâneo, incentivando o acesso às tecnologias e a conexão com novas formas de interação e aprendizado. A metodologia e a abordagem multidisciplinar garantiram a efetividade da iniciativa, ao valorizar a história de vida de cada um do grupo”, afirmou a assessora de Responsabilidade Social do Sistema Fibra, Cida Lima, durante a cerimônia de formatura das duas turmas, que ocorreu na quinta-feira, 17 de dezembro, no Senai Taguatinga. Também participaram do evento a coordenadora de Educação Profissional do Senai-DF, Francispaula Costa, o gerente do Senai Taguatinga, Keison Souza, e familiares dos formandos.
Outro eixo importante do projeto foi a Educação em Direito, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Educação em Direitos e Fraternidade (IEDF), que contribuiu para ampliar a compreensão sobre direitos, cidadania e convivência social, fortalecendo a autonomia e a consciência cidadã. “Vocês são a prova de que nunca é tarde para recomeçar e de que o conhecimento é uma ponte que nos leva à autonomia, e, ainda, que a cidadania se fortalece quando entendemos os nossos direitos para a construção de uma sociedade mais justa”, disse a presidente do instituto, Sandra Taya, aos formandos.
Cícero dos Santos, de 71 anos, integrou a turma de Taguatinga, no mesmo lugar onde, ainda em 1978, fez os cursos de Noções Básicas de Eletricidade e de Eletricista Predial do Senai. Foi motivado pelos filhos que ele entrou novamente em uma sala de aula. “Depois da perda da minha esposa, eu me vi desmotivado e abalado com o luto. Meus filhos me inscreveram e me incentivaram a participar, e hoje eu só tenho a agradecer. Foi uma experiência fantástica, em que aprendi coisas novas e que me despertou o desejo de continuar estudando, pois quero estar familiarizado com o mundo digital para interagir mais com os meus netos.” Cícero tem oito filhos e 35 netos. “Tenho muito que aprender, a família é grande e a geração de jovens é a maior”, brinca.
A moradora do Gama Maria Paulina de Souza, de 68 anos, foi a oradora da turma da sua região. Na cerimônia de encerramento, ela destacou a importância de pessoas de 60 anos ou mais estarem integradas ao universo da tecnologia. “Nós ficamos esquecidos, afastados da realidade e do que acontece no mundo, simplesmente pelo fato de não sabermos usar ferramentas tecnológicas. O novo é algo que nos assusta, e, quando buscamos ajuda, escutamos a famosa frase ‘Eu já te ensinei isso, você já esqueceu?’ Ouvir isso dói. No Conectados 60+ foi o contrário, pois todos foram extremamente pacientes e atenciosos conosco, repetiam e ensinavam tudo de forma carinhosa. Saímos do projeto com o coração cheio de alegria”, declarou. A jovem senhora, como ela mesmo se intitula, é atuante nas redes sociais e uma estudante assídua. Atualmente cursa Psicanálise.




